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Uma fazenda de café pode abranger centenas de hectares e abrigar diversas cultivares, com diferentes idades de plantio e características de solo. Por conta dessa diversidade, embora o período de safra seja o mesmo, a maturação dos frutos ocorre em ritmos distintos. Identificar o momento exato da colheita, diferenciando o perfil sensorial de cada talhão, é determinante para alcançar uma safra excelente.
É exatamente para isso que serve o mapeamento de qualidade. Mais do que apenas direcionar a operação, ele permite ao produtor definir com precisão por onde iniciar os trabalhos e separar estrategicamente as áreas mais promissoras. Mas como isso funciona na prática?
Esse processo envolve a colheita de amostras de cafés maduros em pontos diversos dos talhões de café, seguido pela secagem e degustação antes da colheita principal. Alguns produtores ainda secam esses cafés naturais e descascados, para determinar o melhor método de processamento. Com esse processo, a organização da colheita fica mais fácil, selecionando talhões prioritários em qualidade, possíveis ligas de lotes e aqueles que não serão prioridade no quesito qualidade sensorial.
Para que essa estratégia entregue resultados precisos, a execução no campo segue um rigoroso passo a passo,começando com a:
O processo começa aproximadamente um mês antes da data prevista para o início da colheita. A equipe técnica deve ir aos talhões e realizar a derriça completa de 5 pés de café que representem da melhor forma a produção daquela área (evitando plantas doentes ou atípicas). Mede-se o volume total obtido nessas plantas para, a partir daí, calcular a média estimada de produção da lavoura.
Do volume total derriçado, retira-se exatamente 1 litro de café. O objetivo aqui é contar quantos frutos estão em cada estágio de maturação. Obter essa porcentagem exata é o que permite ao produtor estimar com precisão quando será o momento ideal para colocar as máquinas ou a equipe naquele talhão.
Para a estimativa de qualidade na xícara, o foco muda exclusivamente para os frutos maduros. É importante separar 5 litros de café cereja de cada local. Com as amostras de 5 litros prontas, os produtores costumam processá-las em diferentes métodos como (natural e cereja descascado) e levá-las à degustação antes mesmo da colheita principal começar. Isso revela como o café daquele talhão reage a cada via de processamento.
O grande trunfo do mapeamento é a previsibilidade: ao provar os lotes antes da colheita oficial, o produtor direciona os seus esforços de forma assertiva, prioriza os talhões que detêm maior potencial e consegue, assim, destacar a qualidade da bebida enquanto maximiza a lucratividade da fazenda.