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Depois de meses de trabalho e dedicação finalmente chegou a hora da tão aguardada colheita. Como bem se sabe, para se obter um excelente café, o cafeeiro passa por várias etapas. Dentre elas o processo final e mais aguardado: a colheita. As decisões tomadas nesta etapa e sua execução são determinantes para a qualidade do café.
Existem diferentes maneiras de se colher, e para cada uma delas é preciso pensar de acordo com o que se deseja obter de cada safra. A logística empregada em cada uma delas, além de questões topográficas de cada cafezal.
Outra questão fundamental é a arruação, que consiste na limpeza do solo sob a saia do cafeeiro, evitando que os grãos de varrição se misturem com terra e outras impurezas. Além disso, a retirada de cipós e trepadeiras é indispensável, pois essas plantas podem enroscar e danificar as hastes dos equipamentos, prejudicando o rendimento da colheita mecanizada e semimecanizada.
Por fim, a colheita deve começar quando a lavoura registrar, no máximo, 20% de grãos verdes, garantindo assim a excelência e a qualidade superior da bebida final.
A janela de colheita do café não é uniforme; ela responde a uma série de variáveis edafoclimáticas e agronômicas, como altitude, microclima, volume pluviométrico e as práticas de manejo adotadas na lavoura. O ciclo de maturação é ditado pelas floradas, um fenômeno que ocorre uma vez ao ano e depende diretamente das primeiras chuvas da primavera, logo após o período de estresse hídrico. É por conta dessa dinâmica que, de maneira geral, a colheita dos cafés especiais no Brasil concentra-se entre os meses de maio e setembro. Contudo, em áreas específicas, como nas regiões montanhosas do Espírito Santo, o cenário muda. O microclima singular marcado pela forte umidade oceânica e pelas altas altitudes provoca floradas múltiplas e muito espaçadas, além de desacelerar drasticamente a maturação dos grãos. Devido a esse ciclo tardio, os trabalhos de derriça no campo podem se estender até os meses de novembro e dezembro.
Existem três tipos de colheita sendo elas: Manual, semimecanizada e mecanizada, cada uma delas irá se adaptar de acordo com o que se deseja obter de cada safra e a logística empregada em cada uma delas, além de questões topográficas de cada cafezal:

Nesse modelo, utiliza-se o trabalho braçal. As equipes vão a campo devidamente protegidas com seus EPIs como bonés, luvas, caneleiras, óculos e botinas, para realizar a colheita manual. Esse método destaca-se por ser mais seletivo e muito menos agressivo à planta. Por essa razão, é a técnica mais indicada para áreas montanhosas, dada a dificuldade de mecanização em topografias acidentadas, sendo também a escolha ideal para produtores focados em cafés de alta pontuação. Embora exija um investimento maior em mão de obra e apresente um rendimento operacional reduzido, essa prática garante a integridade do cafezal e a pureza do lote, entregando um grão com potencial sensorial superior.
Existe dois subtipos de derriça manual:
Derriça total: Nesse métodos todos os grãos são derriçador independente do seu estado de maturação, inclusive os grãos verdes, nesse processo a colheita ocorre apenas uma vez na safra
Coleta seletiva: Na coleta seletiva somente os grãos maduros (em ponto) de cereja, são colhidas, deixando os grãos verde cana e verdes para trás para que amadureçam, este processo é muito indicado em cafés especiais.

Na colheita semimecanizada, utilizam-se derriçadeiras manual com garfos vibratórios para desprender os frutos. Com auxílio de tapetes sob o cafezal, a coleta torna-se mais dinâmica. Isso otimiza a mão de obra tornando o processo mais rápido e diminuindo o número de trabalhadores necessários.
Tanto no processo manual ou semimecanizado, os trabalhadores fazem:
A derriça: (derrubagem do grão)
Recolhimento: Os trabalhadores recolhem os café colocados sob a lona
Abanação (limpeza): Afim de tirar outros detritos do meio do café, como são o caso de folhas ou pedras.

Esse método utiliza colhedoras automotrizes que fazem o trabalho, bem como as derriçadeira, não só trabalham na retirada do café mas também realizam o trabalho de colheita, limpeza e armazenamento sem a necessidade de trabalho manual. Contudo esse método é somente utilizado quando não há declives e inclinações no terreno. Normalmente este método é extremamente eficiente e reduz o custo operacional.
Em suma, a colheita é o momento decisivo que coroa todo o trabalho do ano. Um planejamento prévio rigoroso é indispensável para mitigar imprevistos operacionais, otimizar a logística e reduzir drasticamente o desperdício de frutos no campo. Embora esta seja a etapa mais onerosa de toda a cadeia produtiva, uma execução impecável protege a qualidade do grão e a rentabilidade do produtor. No fim das contas, tratar a derriça com excelência técnica transforma esse alto custo operacional em um investimento de retorno financeiro garantido.