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Após secar no terreiro, o café precisa ser lapidado para atingir o estado ideal para comercialização. Para que isso aconteça, ele passa por um processo chamado beneficiamento. Em suma, essa etapa consiste em remover a casca e o pergaminho da semente, além de separar os melhores grãos e eliminar defeitos e impurezas. Para chegar ao resultado perfeito, o café percorre uma série de processos rigorosos através do maquinário de benefício.
Antes de entrar nas máquinas, o café descansa por cerca de 30 dias em estruturas chamadas tulhas. Nesse período, o grão estabiliza, e a água presente no interior de suas células terminam de migrar para a superfície e evaporar. Essa estabilização é crucial para evitar rachaduras e danos mecânicos nas etapas posteriores
Para ser direcionado ao maquinário de beneficiamento, o café deve atender a critérios rigorosos, sendo a umidade um dos principais. O índice ideal gira em torno de 11% a 11,5%. A umidade não pode ser inferior a 10%, pois o café torna-se quebradiço e pode rachar devido ao atrito das máquinas. Por outro lado, grãos com umidade acima de 12% retêm muita água em seu interior, o que os deixa esbranquiçados, suscetíveis a fungos e com perda substancial de qualidade na xícara.
Antes de ser descascado, o café passa pela fase de preparação. Primeiro, é direcionado para a máquina de pré-limpeza, que separa sujeiras mais grossas, como pedaços de galhos, folhas e torrões de terra.

Com o lote limpo, o café entra no descascador. Esta máquina funciona através de atrito e ventilação. Os grãos entram em um cilindro metálico rotativo (rotor) que, ao girar em alta velocidade, fricciona o café contra uma tela.
Caso o café chegue “em coco” (com a casca), a fricção quebra e solta a casca e o pergaminho. Simultaneamente, um potente exaustor aspira essas cascas que são mais leves , separando-as da semente. Se o café for proveniente de via úmida (cereja descascado), ele chegará apenas com o pergaminho, e a máquina fará apenas a remoção dessa envoltura protetora.
Após passar pelo descascador os grãos são direcionados a mesa densimétrica. Essa máquina utiliza uma combinação de inclinação, vibração e ventilação contínua. Ela separa os grãos pelo peso: grãos mais pesados e densos são separados dos grãos mais leves, como fragmentos de casca, grãos quebrados (concha), malformados ou chochos

O café passa por peneiras vibratórias para garantir que os grãos fiquem perfeitamente homogêneos em tamanho, o que é fundamental para se obter um resultado consistente. Essa etapa é vital para a etapa da torra, visto que grãos menores torram primeiro que grãos maiores, por isso é de extrema importância que haja a separação dos grãos para uma torra homogênea.

E por fim temos a seletora eletrônica. Esta é a etapa mais avançada e precisa, capaz de remover defeitos que a separação por densidade não consegue tirar. Os grãos passam individualmente por canais onde são escaneados por câmeras de leitura óptica. Caso o sensor identifique desvios de cor, a máquina dispara um jato de ar comprimido em milissegundos para expulsar o grão ruim. É aqui que são retirados os defeitos.

É importante ressaltar que a complexidade da estrutura de maquinário varia de acordo com cada propriedade. Algumas fazendas operam com máquinas conjugadas, que concentram apenas as etapas fundamentais de pré-limpeza, catação de pedras, descasque e peneira. Uma vez processados sob essas condições, os grãos atingem sua forma comercial e podem ser negociados. Para lotes de alta qualidade, a jornada continua: o café é destinado ao rebeneficiamento em armazéns especializados, onde passará pelas etapas avançadas de densidade e seleção óptica para garantir sua pureza absoluta.