Ao falar sobre café, é fundamental considerar as duas principais espécies cultivadas comercialmente no mundo: Coffea arabica e Coffea canephora. Cada uma apresenta características agronômicas, sensoriais e produtivas próprias, que influenciam diretamente o perfil da bebida e sua aplicação no mercado.
Coffea arabica
O Coffea arabica, conhecido simplesmente como arábica, lidera a produção global e ocupa a maior área de plantio. Suas principais características incluem:
- Estrutura da planta: Os produtores formam suas mudas a partir de sementes, e a planta cresce de forma unicaule, ou seja, desenvolve um único tronco principal.
- Folhas e frutos: A árvore apresenta folhas menores e de coloração verde-escura, além de frutos maiores, com formato mais ovalado, que contêm maior quantidade de mucilagem e aderem mais firmemente aos ramos.
- Perfil sensorial e químico: Em termos de bebida, o arábica entrega menor teor de cafeína e menores índices de sólidos solúveis. Em contrapartida, a espécie destaca-se por um perfil sensorial mais delicado e complexo, com maior acidez e riqueza aromática.
- Regiões de cultivo: Especialistas indicam seu cultivo para regiões de maior altitude, e a espécie predomina no Brasil nos estados de Minas Gerais e São Paulo.
Coffea canephora
Os cafeicultores propagam o Coffea canephora, que tem o Robusta e o Conilon como suas principais variedades comerciais, tanto por sementes quanto por clones. Seus principais atributos são:
- Estrutura da planta: Diferentemente do arábica, a planta cresce de forma multicaule, exibindo folhas maiores e de coloração verde mais clara. Além disso, resiste melhor a temperaturas elevadas e demonstra maior rusticidade.
- Folhas e frutos: Seus frutos são menores e mais esféricos, contêm menor quantidade de mucilagem e aderem menos à planta.
- Perfil sensorial e químico: O canephora possui maior teor de cafeína, menor teor de açúcares e maior concentração de sólidos solúveis, isto é contribui para uma bebida mais intensa e encorpada.
- Aplicações e cultivo: Por esse motivo, a indústria utiliza amplamente esses grãos na produção de cafés espresso, blends e café solúvel. Os produtores cultivam essa espécie em altitudes abaixo de 800 metros, com forte presença nos estados da Bahia, Espírito Santo e Rondônia.
Por fim, compreender as diferenças entre arabica e canephora ajuda a valorizar a diversidade do café e a reconhecer o papel de cada espécie na construção de diferentes perfis de bebida e aplicações no mercado.